
Corria Telavive, sem razão aparente, ao acaso. Nessas deambulações, dera com um bar, na Allenby, onde os trabalhadores romenos se juntavam. Bebiam, cantavam e dançavam, ao som de gaitas de beiços, homens com homens, em rodas ou abraçados, equilibravam-se mal, as roupas manchadas de tinta e de gordura. Encostou-se ao balcão. A dona da casa piscou-lhe o olho e ele ficou sem perceber, pediu uma água mineral. Era uma mulher de meia-idade, com um peito enorme e um vestido decotado que lhe desnudava a carne murcha. Por detrás dela havia uma cortina de renda que escondia mal um quarto escuro. A mulher apontou para lá:
– Não entra?...
Manuel Poppe
Sombras em Telavive
(Teorema, 2001)
Fotografia: Robert Doisneau 1953
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