segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Tudo isto é Fado

Sempre tive curiosidade em conhecer as preferências daqueles que mais gosto. Preferências gastronómicas, literárias, de lazer, musicais…. Afinal, foi assim que recentemente redescobri Jorge Palma. Já o conhecia, mas nunca tinha prestado verdadeira atenção ao fundo das músicas, nem me tinha apercebido do piano…parece impossível! Mas não é. Talvez existam fases pessoais em que o consumo em geral é tão rápido que ficamos pela cobertura das coisas. Isto num EPÁ (acho que era este o nome) equivale a nunca chegar à pastilha elástica!
Mas enfim, lá fui por acaso a uma noite de fados. O acaso tem nome de Mãe. Ela gosta de fado. E eu vejo que o fado lhe dá anos de vida. E como quero que ela viva muito e bem, lá fomos!
Não sendo o meu estilo musical favorito, apreciei alguns detalhes nessa noite que consegui saborear calmamente.
Após o jantar, cantou-se o fado! Intervalado com algumas anedotas sobre o Primeiro Ministro e sobre o ser português.
Ainda o fadista não terminou e já o público se manifesta com um “Bravo”, “Eh fadista”, batendo palmas energicamente, sorrindo! Não há aquela disciplina da música erudita ou afins em que só nos manifestamos no final. Lembrei-me de uma vez (a única) que fui a uma tourada a Santarém, da qual fiquei com alguns detalhes gravados nesta memória fraca: a reacção pronta do público. Corra bem ou corra mal uma pega, o público lá está logo de pé e aos gritos, a concorrer na gritaria para ver quem chega primeiro aos forcados! Seja para elogiar ou para mandar para um sítio que eu cá sei e vocês também.
E a fadista lá foi de fado em fado, numa espiral sem retorno de à vontade, de concentração, a deixar-se levar para quem quisesse notar e para quem quisesse cantar com ela. O público aderiu, desde o casal de namorados ao nosso lado, aos dois amigos que só iam jantar ao restaurante e foram surpreendidos com a cantoria, àqueles que gostam de fado porque o ouvem, porque o entendem ou porque o sentem. E a minha mãe lá foi ouvindo com emoção, brincando com os dedos na franja do seu lenço (ou outras franjas quaisquer) enquanto dizia algumas das letras.
Quem terá descoberto a música? A música é absolutamente fantástica, é capaz de desencadear um turbilhão de reacções, de sentimentos, de afinidades.

O fado está na alma de muita gente e vi isso nessa noite, nos sorrisos do público, nas interpretações dos fadistas, no amor dos amadores que subiram ao palco, nas letras das canções. E eu, mais vez, continuo com curiosidade em conhecer melhor as preferências, neste caso musicais, daqueles que mais gosto. Já desafiei a minha irmã para uma futura noite de fados…

2 comentários:

  1. E podes tambem desafiar-me pois tambem gosto do belo do faduncho,e se for acompanhado de um bom vinho nem te digo nada:-) beijinho minha amiga.

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  2. Parabén pela sempre descoberta e cambio de sensações :)

    Beijos Sra. Pandora :)

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