
Dantes levava a máquina de escrever para um bar que havia perto de minha casa, no centro, e sentava-me a uma mesa durante horas.
O dono queixava-se do ruído, mas não se decidia a expulsar-me, porque já era uma atracção local, uma espécie de número vivo. Um dia apercebi-me de que as pessoas à minha volta se comportavam de maneira estranha, como figurantes a tentar chamar a atenção da câmara. O dono confessou-me que lhes tinha dito que eu era um romancista e que escrevia tudo o que se passava à minha volta.
E eles esforçavam-se por me dar pormenores, e falavam um vocabulário rico, como falam todos os personagens dos maus escritores.
Pablo De Santis,
(Argentina, 1963)
A Tradução
(Tradução de Jorge Fallorca, Asa, 2000)
Fotografia (Willy Ronis)
Amei este post!!!
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