segunda-feira, 13 de setembro de 2010

# 08 Cadernos a Oriente

Episódio #03

O improvável e surpreendente regresso………

Orientados por um GPS de baixa qualidade e uma carta Cartográfica, perdemos o Norte e entrámos por estradas secundárias, onde os camelos são donos da estrada e da areia das dunas….. um engano que rendeu 120 quilómetros extra e um suave toque com as fronteiras do Qatar.

A escuridão da noite no deserto é assustadora, não se descortina nada, apenas o estrelado do céu e uma Lua em quarto crescente, até que ao quilometro 250 o carro começa a soltar um cheiro estranho, alguns dizem que é borracha… na minha opinião, não cheirava a nada…. mas afinal …. cheirava a qualquer coisa… o carro deixou de funcionar uma dezena de quilómetros mais adiante …..

Um dia aconteceu-me o mesmo e eu confundi esse cheiro, com o cheiro de sardinhas, imagine-se só….

Com a luz dos telemóveis, tentou-se, vencer o fumo que sai-a do motor….. começando então… o festival de palavrões em contestação a tal destino.

Os documentos do carro, escritos em Árabe, belo destino…. dos três ocupantes, um fuma e pragueja em Francês, outro fala com o outro carro que segue mais adiante, e eu continuo vidrado no motor…..

O carro de Espanhóis, inverte a marcha e ruma em nosso auxilio……, mas antes deles…. chega o mais insólito …. um reboque, era tudo o que precisávamos, mas nunca adivinhávamos que fosse tão despressa…. o sorriso invade-nos…… o homem fala um pouquinho de Inglês... suficiente para nos compreender, em estilo aciganado, discutimos preços para rebocar o carro até ao destino, cerca de 200 km.

Acertado o preço e chegados os Espanhóis, trocamos a carga e os passageiros, enquanto que eu, fico com o Paquistanês do reboque, porque o carro é meu….

Dos restantes kms, até ao destino, ressalvo a temperatura a rondar os 45 graus, a ausência de ar condicionado na carripana, o escuro do deserto iluminado pelo fogo das plataformas de petróleo e o roer de uma espécie de pevides, de onde o senhor fazia questão de cuspir as cascas para dentro do próprio carro.

Julgo ter adormecido e lembro-me de ter olhado para o Paquistani e ter jurado para mim mesmo, que ele também dormia……. já não sei…….

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