
Seu Jorge. Como se toda a pop fosse coisa carioca…..
Há um ano, Seu Jorge teve um pedido invulgar no seu concerto em Lisboa. Um rapaz que já tinha combinado a surpresa com a produção do espectáculo subiu ao palco do Campo Pequeno e pediu a namorada em casamento. "Hoje [ontem] cheguei no Porto e tinha mais um e-mail com um pedido de casamento de um Pedro", conta Seu Jorge ao i por telefone, poucas horas antes de tocar no Coliseu do Porto. "Vamos ver o que vai acontecer..."
Parece que o cantor que nasceu numa favela do Rio de Janeiro já se habituou a portugueses que querem fazer anúncios importantes nos seus concertos. É a quinta vez que o músico de 40 anos vem a Portugal, mas agora com uma surpresa que nada tem a ver com a sua fama de casamenteiro: uma nova banda, os Almaz.
Não se admire se o ouvir cantar músicas de Kraftwerk, Michael Jackson ou Roy Ayers, em vez dos seus habituais êxitos "Tive Razão" ou "Carolina". "Vai ser complicado tocar essas músicas porque a formação não permite e não temos instrumentos como o cavaquinho ou bandolim", confessa.
Não é razão para ficar desmotivado, principalmente se for fã de "sonoridades mais psicadélicas". Além de Jorge Mário da Silva - nome completo de Seu Jorge -, a banda é constituída pelo guitarrista Lúcio Maia, pelo baterista Pupillo (ambos membros da famosa banda brasileira Nação Zumbi) e por António Pinto, compositor de bandas sonoras como "Cidade de Deus" ou "Central do Brasil".
"Tudo começou em 2008, mas a gente não tinha planejado nada", conta Seu Jorge. "O Antonio Pinto estava fazendo a banda sonora do filme 'Linha de Passe', do Walter Salles, e me convidou para gravar uma música." No estúdio, a empatia entre os músicos foi tal que decidiram prolongar a experiência: "Cada um sugeriu várias músicas. Eu, por exemplo, trouxe ''Everybody Loves The Sunshine'' [de Roy Ayers] e gravámos 18." No fim, a banda escolheu 12 canções para integrar um álbum e entregou-as a Mário Caldato Jr., produtor dos Beastie Boys e de Jack Johnson.
No currículo de Seu Jorge multiplicam-se participações em filmes, como nos conhecidos "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, e "Um Peixe Fora de Água", de Wes Anderson, onde reinterpretou temas de David Bowie.
No Carnaval deste ano, filmou várias cenas de "Tropa de Elite 2", um recorde de bilheteiras no Brasil (mais de 6,2 milhões de espectadores) desde a sua estreia, há três semanas. "Fazer cinema é muito importante, principalmente quando a gente fica velho", diz. "Eterniza mais que a música, há muito poucos músicos que são intemporais como Bob Marley, Mozart ou Bach. Nem o Elvis Presley."
- Publicado in I -
Sem comentários:
Enviar um comentário