Já te conheço há mais ou menos quinze anos, tu não me conheces apesar de já nos termos cruzado umas quantas vezes, até já me perguntaste o nome, mas de certeza que não te lembras de mim. Contudo já me fizeste viajar num voo nocturno, contigo já andei pela praia dos alteirinhos observando o voo rasante das gaivotas, pernoitei na casa do Capitão, percorri docemente as ruelas do bairro do amor e aí cruzei-me com a Tâmara. Contaste-me a fantástica historia do Zé, aquele que não sabe onde por as mãos e está farto de as ter no ar, fiquei fascinado a ouvir-te falar do Jeremias o fora da lei.
Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte, encontrei a estrela do mar e então deixei de me sentir só e percorri o passeio dos prodígios, nesse tempo dos assassinos. Por tua causa fui um sonhador inato mas também me tornei num optimista céptico . No dia em que o centro comercial fechou pensei naquela miúda com cara de anjo mau, e aí sim também fui um lobo malvado.
Um dia encontrei-te e vinhas acompanhado por duas amigas uma dormia tão sossegada e a outra murmurava-te baixinho encosta-te a mim, mas tu olhaste nos olhos da Catarina e falaste-lhe ao ouvido, acorda menina linda.
No caminho para casa assobiei a canção de Lisboa e pensei na minha Senhora da Solidão, cruzei-me uma vez mais contigo ias em busca do teu Norte, mas antes ainda tivemos tempo para dois dedos de conversa, paraste e comprimentaste-me com um: Olá cá estamos nós outra vez, fiquei em silencio a ouvir-te falar na tua maça de Junho, conversamos sobre a origem do drama, da velhice, também me disseste que nunca é tarde para se ter uma infância feliz, falamos sobre o boletim meteorológico, falamos de tudo e do nada.
Pediste-me lume e juntos bebemos um whisky de malte, foi aí que me segredaste que te sentias frágil, pus-te a mão no ombro e tu despediste-te com um tenho que ir andando, e seguiste com a tua guitarra ao ombro pela estrada do sucesso. Mas antes olhaste-me nos olhos e disseste com essas tuas sábias palavras.
Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem á batota
Chega a onde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota
Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo
Obrigado amigo Palma.
Fantástica homenagem Tom!
ResponderEliminarSabes mesmo dar vida às tuas palavras...incrivel como consigo logo fazer um filme a cores ou a preto e branco quando leio os teus textos!!
Um dia voltamos a cantar com o Palma!
Gosto de ti e sinto a tua falta :)
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