segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Homenagem ao amigo Palma!

Já te conheço há mais ou menos quinze anos, tu não me conheces apesar de já nos termos cruzado umas quantas vezes, até já me perguntaste o nome, mas de certeza que não te lembras de mim. Contudo já me fizeste viajar num voo nocturno, contigo já andei pela praia dos alteirinhos observando o voo rasante das gaivotas, pernoitei na casa do Capitão, percorri docemente as ruelas do bairro do amor e aí cruzei-me com a Tâmara. Contaste-me a fantástica historia do Zé, aquele que não sabe onde por as mãos e está farto de as ter no ar, fiquei fascinado a ouvir-te falar do Jeremias o fora da lei.
Numa noite em que o céu tinha um brilho mais forte, encontrei a estrela do mar e então deixei de me sentir só e percorri o passeio dos prodígios, nesse tempo dos assassinos. Por tua causa fui um sonhador inato mas também me tornei num optimista céptico . No dia em que o centro comercial fechou pensei naquela miúda com cara de anjo mau, e aí sim também fui um lobo malvado.
Um dia encontrei-te e vinhas acompanhado por duas amigas uma dormia tão sossegada e a outra murmurava-te baixinho encosta-te a mim, mas tu olhaste nos olhos da Catarina e falaste-lhe ao ouvido, acorda menina linda.
No caminho para casa assobiei a canção de Lisboa e pensei na minha Senhora da Solidão, cruzei-me uma vez mais contigo ias em busca do teu Norte, mas antes ainda tivemos tempo para dois dedos de conversa, paraste e comprimentaste-me com um: Olá cá estamos nós outra vez, fiquei em silencio a ouvir-te falar na tua maça de Junho, conversamos sobre a origem do drama, da velhice, também me disseste que nunca é tarde para se ter uma infância feliz, falamos sobre o boletim meteorológico, falamos de tudo e do nada.
Pediste-me lume e juntos bebemos um whisky de malte, foi aí que me segredaste que te sentias frágil, pus-te a mão no ombro e tu despediste-te com um tenho que ir andando, e seguiste com a tua guitarra ao ombro pela estrada do sucesso. Mas antes olhaste-me nos olhos e disseste com essas tuas sábias palavras.
Tira a mão do queixo não penses mais nisso
O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há-de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem á batota
Chega a onde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota
Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar
Todos nós pagamos por tudo o que usamos
O sistema é antigo e não poupa ninguém
Somos todos escravos do que precisamos
Reduz as necessidades se queres passar bem
Que a dependência é uma besta
Que dá cabo do desejo
A liberdade é uma maluca
Que sabe quanto vale um beijo
Obrigado amigo Palma.

2 comentários:

  1. Fantástica homenagem Tom!
    Sabes mesmo dar vida às tuas palavras...incrivel como consigo logo fazer um filme a cores ou a preto e branco quando leio os teus textos!!
    Um dia voltamos a cantar com o Palma!

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  2. Gosto de ti e sinto a tua falta :)

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