sábado, 17 de abril de 2010

Liliana Ponce

Liliana Ponce não esqueceu o seu casaco no salão de chá

Liliana Ponce nem estava de casaco

(No Rio de Janeiro fazia um belíssimo dia de sol e dava gosto olhar cada ferida exposta na pedra)

Liliana Ponce, consequentemente, não teve que voltar às pressas para a casa de chá

(a garçonete com cara de flautista da Sinfônica de São Petersburgo não veio nos alcançar à saída acenando um casaco esquecido)

Desse modo Liliana Ponce chegou a tempo de pegar o avião

Partiu para a Argentina


Carlito Azevedo
(Brasil, 1961)
A poesia andando: treze poetas no Brasil
(Cotovia, 2008)

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